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terça-feira, 26 de maio de 2009

Gravidez cada vez mais tarde










A emancipação feminina nas últimas décadas fez com que a mulher se dedicasse cada vez mais à sua carreira profissional, a estabilizar-se financeiramente e a deixar para depois duas etapas da vida antes tão importantes: casar-se e ter filhos. Hoje, uma em cada cinco tem a primeira gravidez após os 35 anos, por isso, percebo claramente no consultório que são cada vez mais comuns os casos de mulheres que de repente se percebem já com 35 anos, 40 anos e com vontade de ter seu primeiro bebê. Esse momento pode acabar gerando ansiedade, tensão e, para muitas, uma verdadeira corrida contra o tempo. Mas, afinal, que problemas a mulher realmente pode enfrentar se a gestação for sendo protelada?

A partir dos 30 anos, a chance de gestação espontânea cai entre 3 a 5% a cada ano – é de 25% aos 25 anos; 20% aos 30; 15% aos 35; 5% aos 40 e de apenas 1% aos 45. Isso ocorre pelo envelhecimento natural do organismo e dos óvulos, mas também porque é na faixa dos 35 aos 45 anos que costumam surgir ou piorar certas doenças que dificultam uma possível gravidez. As principais são: miomas uterinos, endometriose, doença inflamatória pélvica, obstrução nas trompas, distúrbios ovulatórios, doenças da tireóide e doenças do colo uterino.

Outro ponto importante, é que, acima dos 40 anos, toda gestação é considerada de alto risco. Isso quer dizer, que tem mais chance de haver intercorrências como: ameaça de aborto, ameaça de parto prematuro, hipertensão, eclâmpsia, diabetes, descolamento prematuro da placenta, placenta prévia, entre outras. Todas essas situações podem colocar em risco o desenvolvimento e crescimento do feto, a vitalidade materna e a fetal.

Por isso, já a partir dos 35, a candidata a mãe de primeira viagem deve tomar cuidados ainda mais especiais. É importante iniciar a suplementação com ácido fólico no mínimo três meses antes de engravidar, fazer acompanhamento de pré-natal, com realização de todos os exames solicitados, atividades físicas, ter hábitos alimentares saudáveis e suplementação vitamínica. E, claro, acompanhar o desenvolvimento do feto através de exames de ultrassom periódicos.

É importante ter em mente também que, a partir dos 40, aumentam os riscos de anomalias cromossômicas (alterações genéticas), sendo a síndrome de Down a mais conhecida. Segudo o Journal of the American Medical Association (JAMA) e o American Journal of Human Genetics, os riscos de ter um filho com síndrome de Down correlacionado com a idade são: 0,5% a partir de 35 anos, 1,2% a partir de 37 anos, 6% a partir de 43 anos e 11% a partir de 45 anos". Nessa idade, também por causa dessas alterações, as taxas de abortamento costumam ser maiores. Por isso, é recomendável que as mulheres acima dessa faixa procurem tratamentos de gravidez assistida.

Além disso, já existe hoje um exame feito nos embriões fruto de fertilização in vitro chamado Diagnóstico Genético Pré-Implantacional, ou PGD, que aumenta o sucesso da gravidez. O PGD analisa células do embrião para rastrear problemas genéticos, possibilitando que somente embriões saudáveis e mais aptos ao desenvolvimento da gestação sejam implantados no útero. Com isso, as chances de sucesso de gravidez aumentam muito, porque os embriões, sendo normais, têm uma probabilidade muito maior de se desenvolver.

Mas, se você ainda está tentando engravidar, o ideal é não ficar muito tensa e continuar encarando a atividade sexual como algo prazeroso, pois já se sabe que o estresse dificulta o processo. As técnicas de fertilização assistida são indicadas apenas nos casos de mulheres acima dos 30 anos que, com mais de um ano de vida sexual ativa não conseguiram engravidar naturalmente, ou aquelas acima dos 40 e que, depois de seis meses nas mesmas condições, ainda não estão grávidas.

E mais: é preciso tem em mente que, além do avançar da idade, o estilo e a qualidade de vida também podem fazer toda a diferença para quem pretende engravidar. Mulheres que fumam, consomem muita bebida alcoólica, vivem estressadas ou estão acima do peso podem ter problemas na sua capacidade reprodutiva. A obesidade, por exemplo, pode reduzir em até 50% as chances de gravidez. Portanto, levar uma vida saudável é o melhor caminho para se manter fértil por muito mais
tempo.

Por Dra. Maria Cecília Erthal
Chefe do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Barra D'Or


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