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quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Outubro Rosa chama atenção para o câncer de mama

Especialistas reforçam a importância do diagnóstico precoce da doença

O câncer de mama é o mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil. Dados divulgados pelo Instituto Nacional do Câncer – Inca indicaram que, em 2016, aproximadamente 58 mil novos casos foram diagnosticados no país. O mês de outubro é marcado por ações de conscientização sobre a importância de exames preventivos e do diagnóstico precoce pelo Outubro Rosa. Em apoio à campanha, especialistas compartilham informações sobre o diagnóstico e tratamento da doença, contribuindo dessa forma para a redução da mortalidade.



A coordenadora do Centro de Mama do Hospital Quinta D’Or, Ellyete Canella, especialista em Radiologia Mamária, destaca que, descobrir o câncer de mama no estágio inicial aumenta a chance de sobrevida e permite tratamento conservador (com preservação da mama). Este alerta indica que a realização de exames de alta tecnologia, como a tomossíntese – também conhecido como mamografia digital 3D, é capaz de detectar tumores pequenos (menores que 10 milímetros), não palpáveis, ou seja, impossíveis de serem identificados no autoexame.





Segundo Gilberto Amorim, oncologista clínico e coordenador de oncologia mamária do Grupo Oncologia D’Or, o diagnóstico tardio da doença é o principal fator de morte da mulher brasileira – 27% descobrem este tipo de câncer em estágio já avançado.

O oncologista clínico do Grupo Oncologia D’Or faz um alerta para mulheres com menos de 45 anos e que tenham grande histórico familiar de câncer. “A busca por um oncogeneticista para um aconselhamento genético é indicado, pois permite detectar mutações e marcadores genéticos associados à predisposição de desenvolver a doença. Trata-se de uma análise de risco. A oncogenética realiza esse mapeamento para uma profunda identificação na árvore genealógica do paciente”, explica Gilberto Amorim.

A união entre atividade física e alimentação saudável também é uma importante aliada na prevenção do câncer de mama.

Principais sintomas da doença

Gilberto Amorim ainda cita alguns sinais que podem ajudar a reconhecer se há algo de errado nos seios. “O aparecimento de nódulos duros palpáveis, com ou sem dor mamária, e que permanecem por vários dias; mudança no aspecto do mamilo; alterações na pele da mama, como abaulamentos, retrações ou aspecto ‘casca de laranja’; secreção escura ou sangue; e mudanças na cor ou textura da pele são alguns dos destaques”, explica. Entretanto, ele faz uma ressalva: “Nem sempre são sinais definitivos de câncer”, diz.




Sobre o tratamento

O tratamento vai depender do tamanho do tumor na época do diagnóstico. Tumores pequenos (menores que 2 cm) geralmente são tratados com cirurgia conservadora da mama. Tumores grandes (maiores que 5 cm) geralmente são tratados por quimioterapia e depois por cirurgia. “Hoje sabe-se que o câncer de mama é uma doença com vários perfis, então o tratamento é muito individualizado. A doença benigna também tem várias expressões, as mais comuns são os fibroadenomas (tumor sólido benigno) e os cistos (nódulos com líquido). Algumas lesões são caracteristicamente benignas, mas a maioria necessita de uma biópsia para a diferenciação, pois ambas as doenças (benigna e maligna) podem ter a mesma expressão clínica e/ou radiológica”, explica a radiologista Ellyete Canella.


Serviços especializados – O Centro de Diagnóstico de Mama do Hospital Quinta D’Or é um serviço de alta relevância nesta linha de cuidados, permitindo a realização de mamografia digital com tomossíntese, ultrassonografia mamária, procedimentos invasivos (biopsias guiadas, percutâneas e cirúrgicas), além da ressonância magnética para elucidação diagnóstica nas patologias mamárias. Saiba mais no site: http://quintador.com.br/Centro_de_Mama,d,2916.aspx

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Proteção de dose em dose: vacinas oferecem ganhos individuais e coletivos

Movimentos antivacinação colocam em risco o surgimento de doenças já erradicadas

Desde da implantação do Programa Nacional de Imunizações (PNI), há 40 anos, o Brasil se mostrou como um dos países com maior efetividade de combate e controle de doenças contagiosas, como sarampo e poliomielite, que está erradicada no país há mais de 20 anos.

Hoje, o calendário nacional obrigatório de vacinação pode proteger, em média, contra 18 tipos de doenças, como meningite, HPV e doenças pneumocócicas. Em contrapartida, o crescimento de movimentos antivacina ameaça os resultados conquistados nos últimos anos pelas campanhas de imunização, e podem contribuir no retorno de doenças que foram erradicadas ou que já estão controladas no Brasil e no mundo.



Para ajudar pais e responsáveis pelas crianças, a Dra. Renata Coutinho, infectologista do Hospital Rios D’Or, esclarece dúvidas sobre vacinação, reforçando a importância de manter o calendário vacinal atualizado.

Por que é importante manter a vacinação infantil em dia?

A vacinação é um dos melhores métodos para prevenir as principais doenças infectocontagiosas da infância. E, além de ter benefício individual, existe um grande benefício coletivo, pois diminui a circulação dessas doenças na população em que essas crianças convivem. Tem também outros ganhos, como menor taxa de hospitalização, de óbito, de sequelas, de abstinência no trabalho, porque todas essas doenças acabam afetando, inclusive, a vida econômica dos pais e atividade profissional. Sendo assim, os ganhos acontecem em várias áreas, não só na saúde individual.

As vacinas são 100% seguras?

As vacinas têm seus riscos e benefícios, e, neste caso, recomenda-se a comparação entre os riscos da doença e os riscos da vacina. Exemplo, a febre amarela: o risco de ter um evento grave pela vacina é de 1 em 1 milhão de doses; e o risco de ter febre amarela selvagem grave é 10 em 100 casos – e mortalidade é muito alta. Matematicamente, é incomparável o risco da doença selvagem e o risco da vacina. Assim, a vacina tem indicação e em caso de dúvidas, deve-se consultar o médico.

Ultimamente, vem crescendo um movimento antivacina, liderado por pais que acreditam que são agressivas à saúde e podem desencadear reações adversas. Tem fundamento o motivo desta relutância?

A vacina é um produto médico imunobiológico dos mais seguros que existem por vários motivos. O principal deles é que ela é usada em larga escala. Em todos os programas de vacinação no mundo, o ideal é que se vacine 100% da população alvo. Então, exige-se um tempo bem extenso de estudo para introduzi-la no mercado. Inclusive, um estudo sobre sua funcionalidade. É preciso que esse produto seja de alta segurança, e, realmente, é.

Quais as consequências de não imunizar as crianças?

A principal e mais preocupante é o ressurgimento de doenças erradicadas e aumento da incidência de doenças.

As reações das vacinas são menos prejudiciais se comparadas aos efeitos da doença em uma criança não imunizada?

Seguramente. E os pais/responsáveis têm que compreender que algumas doenças são graves e inerentes as condições clínicas das crianças. Ou seja, este é um contra-argumento para aqueles que acreditam que crianças saudáveis e bem nutridas estariam imunes de doenças, não precisando ser vacinadas. O ideal é que esta concepção seja aceita por todos, pois, por exemplo, a pneumococcemia pode matar qualquer criança, inclusive as saudáveis. A gente já passou por experiencia de mães que tinham essa filosofia e mudaram de ideia uma vez que os filhos estavam na UTI com doenças que seriam imunopreviníveis, ou seja, que poderiam ser evitadas com a vacinação.

Existe algum fator que impeça a criança de tomar vacina?

Dependendo da vacina, sim. Por exemplo, não devem ser vacinadas crianças que têm comorbidade específica, imunodeficiência, portadora de HIV, transplantado de medula, doença renal crônica e transplantado de órgão sólido. Apesar de ser um procedimento seguro, sempre se coloca na balança riscos e os benefícios. Se o risco da vacina for maior que os benefícios, ela é suspensa, pela segurança do paciente. O médico que acompanha a criança deve ser sempre consultado para uma orientação mais específica e segura.

Para quais reações deve-se ligar o alerta de que algo deu errado?

Placas ou pintas no corpo até 24 horas depois a vacinação, convulsão com ou sem febre e alguma dificuldade motora. A criança deve ser encaminhada ao serviço de emergência e/ou ao médico pediatra.

Qual o melhor período do dia para vacinar as crianças?

Do ponto de vista prático, o ideal seria pela manhã, pois, assim, teria o dia inteiro para observar. De noite, todos estão dormindo. Mas não é um procedimento que exija o acompanhamento dos pais o dia todo, pois, geralmente, as crianças ficam bem.

Criança doente pode tomar vacina?

A contraindicação para vacinar são doenças febris agudas graves. Mas, em caso de dúvida, indica-se buscar orientação do pediatra.

Pode tomar mais de uma vacina em um dia?

As que são programadas para serem juntas no calendário não têm interferência de resposta vacinal. Mas, existem outras com indicação de intervalo mínimo de aplicação, exemplo da tríplice viral e febre amarela. Isso tudo é respeitado pelo esquema de vacinação pública, que tenta ao máximo simplificar as vacinações, diminuindo as chances de falha de cobertura e o número de visitas dessa criança nos postos.


terça-feira, 10 de outubro de 2017

Sucesso de transplantes de fígado está relacionado diretamente com experiência da equipe de assistência e qualidade do centro transplantador


Procedimentos realizados no Hospital Quinta D’Or alcançam a marca de 95% bem-sucedidos

“Tão importante quanto o transplante, é o sucesso dele”. A afirmação é do coordenador do serviço de transplante hepático do Hospital Quinta D’Or, Dr. Lucio Pacheco, que é incansável quando o assunto é salvar vidas. Com sua equipe, alcança a marca de 95% de transplantes de fígado bem-sucedidos, considerando casos de alta complexidade. E este dado se torna ainda mais relevante quando se observa que muitos dos pacientes com doença do fígado morrem antes de conseguirem o transplante.

- A espera pelo transplante de fígado pode ser um processo longo para muitos pacientes, que têm que se submeter a tratamentos conservadores e sofrem impactos relevantes em sua qualidade de vida. O que observamos é que há uma fila relevante para o transplante no Brasil, mas ela se dá mais pela falta de doadores do que pela estrutura instalada para a realização. A realidade é que muitos pacientes morrem antes de conseguir o doador – destaca o especialista.


A condição mais frequente, em adultos, que leva ao transplante de fígado é a cirrose hepática. Além disso, o tumor primário de fígado é outra indicação frequente de transplante de fígado. Em crianças, a principal indicação é uma doença congênita, chamada Atresia de Vias Biliares. No entanto, ainda é um grande obstáculo a negativa familiar, hoje, cerca de 47% não autorizam. É preciso que todos tenham consciência de que os órgãos de um familiar falecido podem contribuir diminuindo a dor de tantas outras famílias.

- Temos conhecimento de que ainda há receio quanto ao que é morte encefálica. É preciso que todos tenham ciência de que há protocolos muito bem estabelecidos para confirmação da morte encefálica e que morte encefálica é irreversível. É este o diagnóstico que viabiliza a doação dos órgãos. A doação de órgãos é um assunto deve ser comentado constantemente. O ideal é que as famílias falem sobre isso antes do óbito, pois em muitos casos é um assunto deliciado para ser tratado. Estimulamos que o tema seja exposto em reuniões de família, já que cabe a ela a decisão final quanto a doação ou não dos órgãos – complementa o Dr. Lucio Pacheco.

Como escolher um hospital para realizar um transplante de fígado? – No Brasil, o transplante hepático só pode ser feito por uma equipe e um hospital credenciado pelo Sistema Nacional de Transplantes para realizar este procedimento. O resultado destes centros não é divulgado, como é feito nos Estados Unidos. A escolha do centro de transplante é um fator muito importante para o sucesso do procedimento, principalmente para pacientes com doença mais avançada, isto é, com alto grau de gravidade. 

- O que observamos é que com uma equipe especializada e coesa o potencial de sucesso cirúrgico e de sobrevida a longo prazo aumenta. Além disso, uma equipe multidisciplinar experiente em um hospital bem equipado possibilita que o paciente tenha um diagnóstico mais ágil e a definição de conduta mais correta com o menor tempo possível – explica o coordenador do serviço de transplante hepático do Hospital Quinta D’Or, Dr. Lucio Pacheco.

Cerca de 95% dos procedimentos de transplante de fígado realizados em pacientes graves, no Hospital Quinta D’Or, são considerados bem-sucedidos. Isso ocorre, pois a equipe de assistência, desde diagnóstico ao pós-transplante atua de forma integrada, na discussão do caso, identificação do diagnóstico e da conduta. Conta com parque de imagem completo (tomografia computadorizada, ressonância magnética, ultrassom e serviço de endoscopia estruturado). Outra questão relevante é a composição da equipe, com hepatologista, cirurgiões, radiologia diagnóstica, radiologia intervencionista, oncologia e endoscopia.

Além disso, o Quinta D’Or dispõe de uma Unidade de Tratamento Intensivo especializada na doença hepática, o que potencializa a assistência ao doente hepático em casos graves, tendo indicação ou não do transplante.

Transplante Intervivos – O transplante de fígado intervivos é uma prática possível e condiz na retirada de parte do órgão de pessoas sadias para doação ao paciente com doença no fígado. Inicialmente, era uma opção voltada para crianças, pois a cirurgia no doador é um pouco menor. Atualmente, também é feito transplante intervivos de fígado em adultos. A compatibilidade principal é o tipo sanguíneo ABO, seguida por avaliação de peso e altura do paciente e do doador. Outros pontos também são considerados como o tamanho do fígado a ser doado e a estrutura anatômica do doador e receptor, como veias, artérias e vias biliares.


O doador não precisa ser membro da família, mas é necessário que seja uma ação voluntária, respeitando os critérios éticos. A lei brasileira diz que parentes até 4º grau e conjugues podem doar sem autorização judicial.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Exercícios físicos também auxiliam no combate ao mal de Alzheimer

A prática ainda contribui para que seja retardado o desenvolvimento da doença

A saúde da mente está mais ligada às atividades físicas do que se imagina. Estudos da neurociência já comprovaram que a prática de exercícios físicos é capaz de diminuir o risco de desenvolver diversas doenças, não apenas as cardíacas como se imaginava recentemente. O mal de Alzheimer é uma delas. Atos simples como subir escadas e caminhar podem reduzir os riscos de desenvolvimento da doença, que, atualmente, afeta 1,2 milhões de brasileiros.



- Além da prevenção, a prática de exercícios físicos também pode minimizar os sintomas do Alzheimer, melhorando a ‘comunicação’ entre as áreas cerebrais afetadas pela doença. O exercício aumenta tanto a expressão gênica quanto a proteína do BDNF, substância que favorece a formação dos neurônios – explica Dr. Paulo Mattos, médico e pesquisador do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR).

Atividades aeróbicas também contribuem para uma melhor irrigação sanguínea do cérebro, mais um fator que pode contribuir para a diminuição do risco do surgimento da demência. Curiosamente, a atividade física parece ter mais influência positiva no envelhecimento cerebral e na prevenção das demências do que a manutenção de atividade intelectual pós-aposentadoria, algo que sempre foi muito repetido.

Associado à velhice, o mal de Alzheimer ocorre em aproximadamente 60% dos casos de demência entre pessoas acima dos 60 anos de idade. Com o aumento da expectativa de vida da população mundial, a projeção é que haja cada vez mais idosos e, consequentemente, mais demência.

- É importante que o olhar e o cuidado estejam direcionados não só para o paciente com Alzheimer como também para a família que, sobretudo no fim da doença fica muito sobrecarregada. Como não há cura, é preciso que alternativas sejam inseridas na rotina para que o dia a dia se torne menos desgastante. A atividade física se torna uma aliada também na promoção do bem-estar e contribui para que o paciente permaneça ativo, mesmo que através das tarefas diárias – pontua a psicóloga Mariana Guedes, que coordena o Grupo de Apoio a familiares de pessoas com Alzheimer do Hospital Rios D’Or.

Clínica da memória – O Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) mantém no Rio de Janeiro o serviço “Memory Clinic”, primeiro do estado a oferecer os diversos exames necessários para o diagnóstico de demência. Com o intuito de justamente avaliar indivíduos com queixas de memória, o serviço utiliza os protocolos mais modernos de investigação, como avaliação clinico-neurológica, neuroimagem e neuropsicologia, além do exame de líquor.

- Pelo fato do IDOR ser um centro de pesquisa, muitas investigações precisam esclarecer aspectos importantes sobre demência. Por exemplo, quais fatores determinam se o estágio intermediário, o Comprometimento Cognitivo Leve, irá progredir para demência ou não – finaliza o Paulo Mattos.

Grupo de apoio a familiares de pessoas com Alzheimer – Há sete anos profissionais de diversas especialidades se reúnem e promovem no Hospital Rios D’Or um encontro gratuito, mensal, com familiares e cuidadores de pessoas com Alzheimer. A iniciativa busca colaborar com a melhoria da qualidade de vida de pacientes.

- A família da pessoa com Alzheimer fica ciente do caminho que terá que percorrer, mas cabe a ela a forma com que fará isso. As que buscam se amparar, além da assistência especializada e multiprofissional ao paciente, com condutas de amor e humor, administram as fases com mais tranquilidade, gerando benefícios para todos. É este o estímulo que recebem no Grupo de apoio do Hospital Rios D’Or – complementa a psicóloga.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Gordura abdominal e ausência de atividades físicas contribuem para a síndrome metabólica

Tratamento pode abranger desde a mudança de hábitos de vida até a cirurgia metabólica

Aquele excesso de gordura abdominal pode representar algo além de alguns dígitos a mais na balança. Pode ser sinal de uma síndrome metabólica, que tem como base a resistência do corpo à insulina. Este distúrbio hormonal contribui para o desenvolvimento do diabetes tipo 2, da pressão alta, obesidade e a elevação das taxas de triglicérides, glicemia e colesterol. Todas essas doenças juntas cooperam para o surgimento de problemas cardiovasculares, o AVC e o infarto. Porém, a redução do peso corporal através de atividades físicas, tratamento medicamentoso ou cirurgia metabólica representam o controle, ou até, a cura da doença.

As causas da síndrome metabólica estão associadas à ausência de hábitos saudáveis, como alimentação e atividade física. Um alerta é que além de adultos, as crianças têm desenvolvido a doença cada vez mais cedo.



- Os hábitos dos pais refletem na vida dos filhos. Se eles não buscam uma rotina saudável, logo, as crianças não têm bom exemplo. Além disso, o excesso de uso de tecnologias, como tablet, televisão e celulares, têm contribuído para que as crianças se movimentem cada vez menos.  Isto, juntamente com o fácil acesso aos fast food, coopera para o ganho de peso e o desenvolvimento da síndrome metabólica – pontua a Dra. Monique Lima, endocrinologista do Hospital Rios D’Or.

A falta de uma rotina saudável também é a responsável pelo crescimento dos casos da doença ao longo dos anos, pois a correria diária e a ansiedade têm feito as pessoas consumirem alimentos processados, cheios de calorias, ricos em gorduras saturadas e carboidratos simples, e que, cada vez mais, têm tido menos tempo para se exercitarem. Além disso, a predisposição genética também coopera para o distúrbio, principalmente, àqueles com histórico familiar de diabetes.

Diagnóstico

A síndrome metabólica é diagnosticada através da avaliação física pelo médico - que vai verificar a pressão arterial e a gordura visceral, principalmente a localizada no abdomen, e dos exames hormonais e de sangue - que mostra as alterações nas taxas de colesterol, triglicérides e glicemia. A desregulação desses índices somados à obesidade significam risco à saúde, pois estão ligados ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares - como AVC e infarto - aos casos de infertilidade feminina decorrente da resistência do corpo à insulina, às complicações durante a gestação, e a alguns tipos de câncer, como o colorretal.

Cirurgia metabólica – possível tratamento

Como a síndrome metabólica está muito associada ao sobrepeso, o principal tratamento base é a mudança dos hábitos de vida, incluindo na rotina exercícios e dieta equilibrada.

Dependendo do resultado clínico e laboratorial, há outros tratamentos específicos. Por exemplo, para aqueles que estão com a taxa de IMC acima dos 40kg/m², há a indicação de cirurgia metabólica. Este procedimento, além de focar na redução do peso, também age no controle do diabetes tipo 2, por isto o termo cirurgia metabólica. Para quem está no grau 2 de obesidade, ou seja, com IMC acima de 35kg/m², a cirurgia só é indicada caso tenha ligação com outra patologia, sendo o diabetes, novamente, a principal associação.


- Há outras alternativas para tratar a doença, como os medicamentos, mas isso depende do tipo de alteração da síndrome o paciente tenha e do objetivo do tratamento naquele momento -  finaliza Dr. Monique Lins.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Medicamentos: Como guardar corretamente?

Armazenamento incorreto interfere na composição química dos remédios

É comum ter uma caixa ou um armário cheio de medicamentos acumulados ao longo da vida. Estão ali seja porque sobraram depois de um tratamento anterior, ou para ter em mãos em caso de necessidade. Mas especialista alerta para dois simples detalhes que nem todo mundo se atenta: a data de vencimento e os cuidados no armazenamento.

De acordo com as normas da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), as embalagens dos medicamentos devem conter, dentre outras informações, número do lote, data de fabricação e orientações quanto ao armazenamento adequado destes produtos. As recomendações são armazenar em locais secos, que não tenham incidência de luz solar direta, sem umidade e arejados.



- É importante evitar armários de banheiro por estarem em um ambiente que tem muita umidade, que, somada à temperatura, modifica a estrutura química do medicamento. O ideal é mantê-los dentro de uma maleta, guardada em quartos por exemplo. Prestando sempre atenção à temperatura, que deve estar entre 15° e 30° graus, para a manutenção do produto – explica Rômulo Carvalho, farmacêutico corporativo da Rede D’Or São Luiz e coordenador do curso de farmácia do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR).

Outro ponto que pode sofrer alteração é a data de validade, que é mais vulnerável dependendo da consistência física do remédio. Por exemplo, os antibióticos de suspensões orais – que precisam ser dissolvidos em água – tem serventia de apenas sete dias após abertura do frasco. A fragilidade também vale para colírios e pomadas, sendo os comprimidos os mais fiéis ao prazo de vencimento informado no rótulo, desde que seja utilizado logo após retirado da embalagem.

- A pessoas também costumam guardar os medicamentos na bolsa para tê-los em mãos sempre que precisarem. Mas os cuidados em relação à integridade também valem para estes casos. A aparência é o que vai dizer se o remédio está bom para consumo mesmo se estiver dentro da validade. Se houver descoloração, desmanche, esfarelamento, bolor e, eventualmente, odor, estará impróprio para consumo – detalha Rômulo Carvalho.

Pode cortar o comprimido para reduzir a dosagem? 

Este procedimento não é indicado, pois há uma questão técnica envolvida. O comprimido é feito de componentes ativos e inativos, que não são distribuídos uniformemente, ou seja, partir ao meio não significa que há 50% deles de cada lado. Portanto, o ideal é utilizar a dosagem exata prescrita. Além disso, um erro leva ao outro, pois as pessoas, além de cortar o comprimido, guardam a outra metade para tomar depois. Mas esta deveria ser descartada.

É possível utilizar mais de um comprimido para atingir a dosagem prescrita?

Não há problema tomar mais de um comprimido, desde que a junção destes resulte na dosagem indicada. Por exemplo, para uma prescrição de 10mg, pode ingerir duas pílulas de 5mg.

Qual a melhor forma de descartar os medicamentos vencidos?

Uma possibilidade é verificar se há farmácias próximas e/ou serviços de saúde que funcionem como postos de coleta. Caso não seja recebam, em pequenas quantidades, pode ser direcionado ao lixo comum doméstico.  No entanto, é preciso ficar atento com o descarte de materiais perfurocortantes, como agulhas, para não provocar acidentes.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Atenção ao coração: Especialistas do Grupo Oncologia D’Or e Rede D’Or São Luiz recomendam cuidados durante o tratamento oncológico


No tratamento contra o câncer, o paciente precisa estar atento a diversos cuidados, como ter uma boa alimentação e praticar atividades físicas regularmente. Com a saúde do coração não poderia ser diferente. Especialistas recomendam uma atenção especial ao órgão, que pode sofrer acometimentos por conta de certos quimioterápicos, como aqueles à base de antraciclícos – bastante encontrados em medicamentos contra o câncer de mama, por exemplo.

O avanço da ciência oncológica contribuiu para uma maior sobrevida do paciente com câncer, mas também acabou comprometendo a saúde cardiovascular de quem lutava contra a doença. Isso fez com que oncologistas e cardiologistas se unissem para um melhor atendimento.



Segundo Gilberto Amorim, oncologista clínico do Grupo Oncologia D’Or, o papel do oncologista é avaliar adequadamente a necessidade de tratamento com quimioterapia à base de antraciclícos, se existem fatores de risco cardiovascular ou doenças cardíacas prévias como angina, infarto, dislipidemia, arritmias e hipertensão grave. “Havendo alternativas, é necessário indicar outros quimioterápicos. E, sempre que possível, solicitar exames básicos de avaliação como o ecocardiograma, por exemplo, e referir os casos para avaliação conjunta com o cardiologista”, afirma o oncologista.

Para Flávio Cure, cardiologista do Hospital CopaStar, da Rede D’Or São Luiz, a avaliação prévia do paciente oncológico é essencial para a evolução do tratamento. Entretanto, o especialista alerta que uma única visita não é o suficiente. “Uma consulta a cada dois meses é o ideal para manter a saúde do coração de quem precisará utilizar medicamentos à base de antraciclícos, por exemplo”, diz.

Para amenizar os efeitos desses medicamentos, o cardiologista explica que existem drogas capazes de evitar o problema. “O uso de beta bloqueadores e inibidores da enzima conversora da angiotensina, por exemplo, atenuam os efeitos cardiotóxicos de certos fármacos”.

Gilberto Amorim ainda lembra que a radioterapia também já chegou a ser uma preocupação. No entanto, ele explica que, com a evolução do tratamento, o cenário mudou.  “Com planejamentos modernos, além de bons equipamentos e equipe especializada, irradiar a mama – e cadeias de drenagem – é muito seguro para a saúde do coração do paciente”, finaliza.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Casos de suicídio aumentam e reforçam a importância de falar sobre o assunto


Transtorno depressivo é uma das doenças que pode levar uma pessoa a tirar a própria vida

Todos os anos, no mundo, mais de um milhão de pessoas tiram a própria vida. Em 2020, a previsão de aumento é de 1,5 milhões de mortes por suicídio ao ano. Os dados assustam, mas fundamentam a importância da Campanha Setembro Amarelo – de prevenção ao suicídio, que pontua que 32 brasileiros se suicidam, por dia – taxa superior às vítimas da AIDS e a maioria dos tipos de câncer. Por ser considerado ainda um tema "tabu", as pessoas fogem do assunto e, por medo ou por desconhecimento não conseguem reconhecer sinais de que uma pessoa próxima está com ideias ou comportamento suicida.



- É bastante difícil compreender o motivo que leva uma pessoa cometer um suicídio, e outras em situações similares não o fazem. Contudo, precisamos levar em conta os fatores emocionais, psiquiátricos, religiosos e socioculturais. Os principais fatores de risco são história de suicídio na família ou de tentativas anteriores de suicídio, e história de transtorno mental. Além disso, perdas recentes podem motivar o ato. Um ponto de atenção é quando a pessoa fala repetidamente sobre o tema da morte ou sobre suicídio – ressalta a psicóloga do Hospital Rios D’Or, Mariana Guedes.
 
Segundo a Organização Mundial de Saúde, 9 em cada 10 casos de suicídio poderiam ser prevenidos, e por isso a esperança e a importância da Campanha Setembro Amarelo: a ideia é "quebrar tabus, falando sobre o assunto, esclarecendo, conscientizando e estimulando a prevenção". Sabe-se que quando ocorre um suicídio, cerca de 6 a 10 pessoas são afetadas diretamente. Então, é de extrema importância compreender o sofrimento não só da pessoa que tentou o suicídio e não alcançou a morte, como também dos familiares, amigos e das demais pessoas próximas.
 
- O suicídio é um problema de saúde pública que não pode ser ignorado. As estatísticas, tanto no Brasil quanto em outros países, têm aumentado exponencialmente. A taxa de suicídio nos Estados Unidos, por exemplo, no início dos anos 2000, era de 11 para 100 mil indivíduos. Em menos de 10 anos esse número aumentou para 13 a cada 100 mil – explica Dr. Paulo Mattos, neurocientista do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) e coordenador do Centro de Neuropsicologia Aplicada (CNA).
 
É importante saber que o trabalho de prevenção do suicídio nunca é solitário, envolve uma parceria com a família e os diversos profissionais (médico, psiquiatra, psicólogo, fisioterapeuta, etc), para que se possa estabelecer um plano de segurança. Além disso, pode-se recorrer ao Centro de Valorização à Vida, através de ligação para o número 141.
 
Depressão: o mal do século – Entre os fatores identificados de desencadeadores do suicídio está a depressão. Mesmo com todos os avanços da medicina, tem afetado milhões de pessoas ao redor do mundo. Considerada a doença do século, a depressão atinge 4,4% da população mundial e 5,8% dos brasileiros, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Os números alarmantes ampliaram o debate sobre o transtorno, mas muito ainda precisa ser feito. Segundo especialistas, falar sobre o problema é um passo importante, já que muitos confundem a tristeza patológica da transitória, provocada por acontecimentos ruins, que podem acometer qualquer pessoa durante sua trajetória de vida.  
 
- A depressão é uma doença que pode afetar pessoas de diversas idades. Por isso, é importante estar atento a certos sintomas, como: fadiga ou perda de energia constante, baixa autoestima, distúrbio de sono (insônia ou sonolência excessiva), estado com o humor triste quase todos os dias, entre outros. O acompanhamento médico é essencial para a evolução do paciente, assim como a participação de amigos e familiares durante este processo – complementa o neurocientista.
 
O especialista destaca que a depressão não é a única doença a levar ao suicídio. A esquizofrenia também pode levar o paciente a tirar a própria vida.
 
FATORES DE RISCO PARA O SUICÍDIO:

- Comportamento retraído ou dificuldade para se relacionar com parentes e amigos;
- Alcoolismo;
- Ansiedade, pânico;
- Mudança na personalidade, irritabilidade, agressividade;
- Pessimismo, depressão;
- Mudança no hábito alimentar ou no padrão de sono;
- Sentimento de culpa, de se sentir sem valor;
- Perda recente importante (separação, divórcio, morte);
- Sentimentos de solidão, desesperança;
- Doença crônica limitante ou dolorosa.

COMO AJUDAR:

- Achar um lugar adequado, onde possa acontecer a conversa com uma privacidade razoável;
- Acolher a dor e o sofrimento, escutando atentamente e com interesse o que a pessoa diz, com calma e sem julgamentos para facilitar a comunicação;
- Aceitar a queixa da pessoa e ter respeito pelo sofrimento dela;
- Expressar respeito pelas opiniões e pelos valores da pessoa;
- Demonstrar preocupação, cuidado e afeto por ela;
- Orientar e acompanhar a busca por profissionais.
 
Centro de Neuropsicologia Aplicada (CNA) - Tanto a depressão quanto a ansiedade são relativamente comuns e podem afetar a atenção e a memória. O aprendizado de crianças e adolescentes, por exemplo, fica comprometido na maioria dos casos. Entretanto, é preciso fazer um diagnóstico preciso entre dificuldades que são secundárias à depressão e dificuldades de aprendizado que, secundariamente, levam à depressão por conta do fracasso acadêmico. Este pode ser um diagnóstico muito difícil, e por isso, o Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) se associou, em 2012, ao Centro de Neuropsicologia Aplicada (CNA), que se dedica ao diagnóstico de dificuldades de atenção, memória, linguagem e aprendizado desde 1992.
 
Lá, a equipe liderada pelo neurocientista Paulo Mattos realiza o exame neuropsicológico, que avalia o histórico de sintomas e o comportamento, além das funções intelectuais do paciente, que são: a memória, a linguagem, a percepção visual, a capacidade de planejamento e o controle de impulsos. “No exame, cada uma dessas funções é avaliada de modo objetivo e, depois, é realizado uma correlação de todas elas”, explica Mattos.
 
“No caso de queixas de desatenção, esquecimento, dificuldades de planejamento e até mesmo impulsividade, é fundamental distinguir se elas estão dentro do limite da normalidade ou se fazem parte de um problema que precisa de acompanhamento clínico. O exame neuropsicológico apresenta uma avaliação detalhada, auxiliando o profissional que está responsável pelo caso”, finaliza.
 
O CNA fica na Rua Diniz Cordeiro, 30, Botafogo, no Rio de Janeiro. Além de pesquisas científicas, o Centro de Neuropsicologia Aplicada realiza atendimentos externos.