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sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Mitos e verdades dos anticoncepcionais orais




Em entrevista ao blog Espaço Saúde da Mulher, Dr. Paulo Roberto Soares, ginecologista e obstetra do Hospital Norte D’Or, esclareceu diversas dúvidas relacionadas aos anticoncepcionais orais.

Como agem no organismo: as pílulas, como também são conhecidos estes medicamentos, atuam bloqueando a ovulação. “Eles produzem também alguns efeitos acessórios, como a modificação do muco existente no colo do útero - o que dificulta a penetração do espermatozoide na cavidade uterina – e a diminuição da mobilidade das trompas. Outro efeito destes contraceptivos é a inadequação do endométrio, ou seja, a ocorrência de mudanças na camada interna do útero que impossibilitam a fixação do embrião.”

Ganho de peso: apesar de muitas pessoas acreditarem que o uso destas drogas engorda, não há estudos que evidenciem ganho de peso considerável.

Risco aumentado de trombose e/ou de problema cardíaco: o ginecologista esclarece que ambos estão relacionados à dose do anticoncepcional. “Os de mais alta dose apresentam aumento do risco, sendo o etinilestradiol mais relacionado à trombose e os progestogênios, ao infarto. Os anticoncepcionais de baixa dose têm influencia clínica insignificante”, explica. Entretanto, Dr. Paulo ressalta que o fator idade, doenças, histórico familiar ou hábitos que aumentem o risco de trombose ou infarto devem ser considerados pelo médico.

Risco aumentado de câncer de mama: o especialista afirma que até o presente momento, não existem trabalhos que atribuam diferença significativa na incidência do câncer de mama entre as usuárias de pílulas anticoncepcionais e as mulheres que não usam.

Recentemente, estudo realizado nos Estados Unidos pela Dra. Elisabeth Beaber, cientista do Centro de Pesquisas em Câncer Fred Hutchinson, detectou aumento da incidência de câncer de mama principalmente nas mulheres que tomam anticoncepcionais de alta dose. Porém, estes contraceptivos praticamente não são mais utilizados e a própria autora sugeriu que a pesquisa deve ser melhor avaliada.

Dr. Paulo Roberto afirma que “é importante esclarecer que o termo estrogênio abrange uma série de substâncias com efeitos muito diferentes no organismo. O mais correto é identificar o tipo de estrogênio para uma avaliação mais precisa de seus efeitos. São exemplos o etinilestradiol, os estrógenos conjugados, o valerato de estradiol, o estradiol, etc”.

Efeitos adversos: náuseas, cefaleia, sangramento irregular, acne e dor mamária, entre outros. Na maioria das vezes, são de pequena intensidade.

Contraindicações dos anticoncepcionais: o ginecologista explica que a Organização Mundial de Saúde (OMS) afere critérios de elegibilidade para a indicação ou contraindicação das pílulas. Esta avaliação está ao alcance do médico. O uso dos anticoncepcionais não é indicado, por exemplo, para pacientes que fumam mais de 15 cigarros por dia ou que têm alguma doença que “facilite” a trombose.


#rededor #NorteDOr #anticoncepcionais #pilulas 

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Novo contraceptivo promete ajudar a diminuir o risco de contágio da Aids















Um método revolucionário promete deixar as mulheres mais tranquilas com relação à proteção contra o vírus da Aids. Por meio de uma combinação entre anel vaginal e antirretrovirais, medicamento utilizado no tratamento de paciente com HIV, o novo contraceptivo tem por objetivo eliminar a capacidade de contaminação pelo vírus, com um método que é praticamente imperceptível para o parceiro.


A Sociedade Internacional de Microbicidas (IPM, na sigla em inglês) já está preparando um estudo com 280 mulher na África e pretende avaliar a segurança e aceitabilidade do novo método por parte do sexo feminino.

Leia a matéria na íntegra no portal O Globo Online

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Pílula do dia seguinte pode colocar a saúde em risco
















Publicada no site Abril.com, uma matéria com a participação do ginecologista Humberto Tindó, colaborador do Espaço Saúde da Mulher, fala sobre os cuidados que toda mulher deve ter com a ílula do dia seguinte. Apesar do uso cada vez mais difundido, o medicamento pode cuasar danos graves à saúde. Confira:

Para ver diretamente no site, clique aqui


Pílula do dia seguinte pode colocar a saúde em risco
A pílula do dia seguinte virou febre como alternativa para evitar a gravidez há pelo menos dez anos

Tem muita garota usando e abusando desse método contraceptivo de emergência sem orientação e o pior: como se fosse um anticoncepcional comum. O que elas não sabem é que, além de desafiar a eficácia do medicamento, estão colocando a saúde em risco. Entenda como o remédio funciona e faça a coisa certa

A pílula do dia seguinte virou febre como alternativa para evitar a gravidez há pelo menos dez anos, quando foi aprovada pelo Food and Drug Administration (FDA), órgão americano que regulamenta o uso de remédios nos Estados Unidos, para ser comercializada naquele país. Liberada também pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), passou a ser encontrada facilmente nas farmácias do Brasil e hoje é adotada por mulheres de todas as idades, que nem sempre entendem como ela funciona nem respeitam as indicações dos médicos. Para não restar dúvida na hora de utilizar ou não o medicamento, escute os especialistas: use somente em caso de emergência.

O que é
Os dois tipos mais comuns são o que vem em duas doses (um comprimido para ser tomado após o sexo desprotegido e outro 12 horas mais tarde) e o de dose única, que deve ser ingerido logo depois da transa. Nos dois casos, o princípio ativo é o levonorgestrel, um derivado sintético do hormônio progesterona, em concentração de 1,5 miligramas (na dose única) e 0,75 miligramas (em cada uma das duas doses). Uma diferença em relação às pílulas comuns é que a do dia seguinte não contém o hormônio estrogênio na fórmula.

Como funciona
"A sobrecarga hormonal vai alterar as características do endométrio (o tecido que reveste o útero) e criar um ambiente impróprio para a implantação do embrião, caso haja o encontro do óvulo com o espermatozoide e a fecundação", descreve a ginecologista Rosa Maria Neme, diretora do Centro de Endometriose São Paulo. Se o embrião já estiver instalado, a pílula não vai fazer com que ele seja removido, isto é, não vai provocar o aborto.

Prazo de validade
A maioria das pílulas tem efeito prolongado por 72 horas depois de ingeridas, não importa quantas vezes você faça sexo dentro desse período. "Quanto mais cedo você tomar, mas protegida vai estar", avisa Humberto Tindó, ginecologista do Hospital Quinta D’Or, no Rio de Janeiro. "A margem de eficácia da pílula fica entre 94% e 97% (diante de mais de 99% no anticoncepcional de rotina) quando ela é tomada até 24 horas depois do sexo desprotegido, cai para 85% entre 24 e 48 horas após transar e para menos de 60% depois de 48 horas", explica.

Menos é mais
As recomendações da OMS para a pílula do dia seguinte são bem claras: trata-se de um contraceptivo de emergência, indicado para aquelas situações em que você transou sem camisinha (ou ela furou), esqueceu de tomar seu anticoncepcional comum ou injetável ou errou no cálculo do seu período fértil, fora os casos de violência sexual. Não deve, portanto, ser tomada de forma contínua como método de prevenção. E nunca mais de uma vez em um mês. "A alta dosagem hormonal vai desregular o ciclo menstrual e pode sobrecarregar o fígado, onde o hormônio é metabolizado", diz Humberto Tindó. Tem mais: "O excesso de hormônio pode refletir em pele mais oleosa, queda de cabelo e diminuição da libido", fala Rosa Neme. Para você ter uma ideia, 1,5 miligramas de levonorgestrel equivale a quase meia cartela de uma pílula de baixa dosagem.

Eu posso?
Teoricamente, todas as mulheres podem consumir a pílula do dia seguinte, mas o ideal é que seja sob prescrição médica. "No caso do comprimido com estrogênio, ele deve ser evitado por mulheres diabéticas, hipertensas ou com histórico de trombose na família, pois a alta quantidade de hormônio pode levar à formação de coágulos e à obstrução dos vasos sanguíneos", diz Arnaldo Schizzi Cambiaghi, ginecologista especialista em reprodução humana, de São Paulo.

O que vem depois
Diferentemente das pílulas mais antigas ou das que têm estrogênio, as de levonorgestrel não costumam provocar náusea, dor de cabeça ou vômito. "Ainda assim, algumas garotas sentem", diz Rosa Neme, que alerta: se o vômito acontecer dentro de 12 horas depois de tomar o remédio, é melhor repetir a dose, pois pode ser que ele seja eliminado. Um pequeno sangramento nos dias seguintes também é esperado.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Pílula anticoncepcional – mitos e verdades















Baseada na administração de hormônios, a pílula diária e outros métodos anticoncepcionais similares atuam “enganando” o organismo, simulando uma gravidez. Dessa forma, os ovários não produzem óvulos e a mulher pode evitar a concepção por um determinado período de tempo. Mas essa quantidade extra de hormônios é motivo de preocupação para muitas delas e, como percebo no consultório, ainda existem muitas dúvidas e confusões envolvendo seu uso.

Hoje, os métodos hormonais podem ser encontrados nas mais diversas formas - pílula, anel vaginal, adesivo, injeção. Com dosagens cada vez menores e sem prejudicar sua eficácia, os produtos disponíveis atualmente produzem efeitos colaterais menores e, com isso, a tendência natural foi que a procura por eles aumentasse.

Porém, muitas histórias ainda são inventadas sobre esses métodos anticoncepcionais. O primeiro mito a se desmascarar: não é preciso descansar por um espaço de tempo depois de seis meses, ou um ano, de pílula. Isso é até contra-indicado do ponto de vista fisiológico. Outro, é o de que pílula anticoncepcional pode gerar infertilidade. Após a interrupção dos métodos hormonais, os ciclos ovarianos voltam a assumir o seu antigo padrão cíclico normal. É possível, contudo, que sejam necessários três meses, em média, para que este retorno aconteça.

A verdade é que podem existir, sim, efeitos colaterais, bastante conhecidos das mulheres. Os principais são as cefaléias enxaquecóides, os enjôos, o ganho de peso, a diminuição da libido, a dor na mama, o inchaço e o surgimento de microvarizes. A boa notícia é que com os anticoncepcionais atuais, de baixa dosagem hormonal, os tais efeitos são bem mais raros.

Saiba que o anticoncepcional hormonal não atrapalha a vida fértil e pode ser usado até a menopausa. Vale ressaltar também não só a importância dos métodos que previnem a gravidez, mas também as doenças sexualmente transmissíveis (DST), que a cada dia ameaçam mais homens e mulheres. Por isso, camisinha sempre!

E atenção: alguns remédios como ansiolíticos, antiepiléticos, antidepressivos e alguns antibióticos podem diminuir a eficácia dos métodos hormonais. Consulte sempre um especialista antes de optar por qualquer tipo de método contraceptivo hormonal.


Por Dr. Humberto Tindó
Chefe do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Quinta D'Or

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Dor de cabeça: culpe os hormônios!












Você costuma ter crises de dor de cabeça latejante, daquelas que pioram com qualquer movimento e chegam a durar horas ou até dias? Se sim, você está entre os cerca de 20% da população mundial afetada pela enxaqueca. E as mulheres são as mais atingidas: para cada dois homens, são cinco mulheres que sofrem com o problema, tendo a vida prejudicada pela incapacidade temporária provocada pelas fortes crises de dor de cabeça.

Antes da adolescência, a prevalência de enxaqueca é similar em ambos os sexos, mas, após a puberdade, as crises passam a acometer mais a elas, do que a eles. Grande parte disso se deve ao fator hormonal, em particular ao hormônio estrogênio. Estudos indicam que 65% das mulheres apresentam crises mais intensas durante o período menstrual. Mas a intensidade e a duração das dores pode variar. Enquanto muitas têm enxaqueca durante todo o mês e pioram durante a menstruação, outras podem sentir dor apenas nessa fase.

Outro motivo para o aumento da intensidade das crises no período menstrual é o uso de pílulas anticoncepcionais. Isso porque elas provocam uma queda ainda mais acentuada do nível de estrogênio no sangue, que, fisiologicamente, já é menor no período próximo à menstruação. Mas apesar das dores de cabeça serem mais comuns nas mulheres em idade fértil, muitas vezes podem ocorrer, também, naquelas que já atingiram a menopausa. Nesses casos, a culpa também é dos hormônios, já que as terapias de reposição hormonal podem desencadear as dores.

Por isso, se você sofre com a enxaqueca, converse com o seu ginecologista para encontrar o método anticoncepcional mais indicado para suas necessidades. No entanto, se as dores de cabeça forem frequentes mesmo que você não tome anticoncepcionais, ou faça terapia de reposição hormonal, é importante consultar um neurologista para descobrir a causa do problema e a forma mais adequada de tratamento. Mas atenção: cuidado com a automedicação. O uso indiscriminado de medicamentos é prejudicial à saúde e pode tornar sua dor crônica.

Por Dr. Humberto Tindó
Chefe do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Quinta D'Or

Clique no ícone e ouça o Dr. Humberto Tindó falando sobre a dor de cabeça


quinta-feira, 4 de junho de 2009

Corte o cigarro!












Que o cigarro é extremamente prejudicial à saúde, todo mundo sabe. E, para as mulheres, o mau hábito causa danos ainda mais devastadores. Cerca de 18% das brasileiras são fumantes; além de ter suas chances de desenvolver câncer aumentadas, elas estão muito mais propensas a ter problemas graves no sistema circulatório venoso e também arterial (em menor proporção), doenças cardíacas, respiratórias, entre outras. O cigarro possui mais de 40 substâncias cancerígenas em sua composição. Praticamente todas as doenças possuem piores prognósticos quando os pacientes fumam!

No caso de problemas circulatórios, a razão está na constituição mais delicada desse sistema no organismo feminino, que, quando combinada aos efeitos nocivos do cigarro, pode resultar em varizes e casos sérios de trombose (formação de coágulos sanguíneos), com sequelas irreversíveis e riscos de complicações fatais. A produção dos hormônios femininos faz com que a parede das veias das mulheres seja naturalmente mais fraca, aumentando a propensão à coagulação sanguínea e os riscos de formação de trombos, com suas consequencias clínicas: tromboflebite, trombose e embolia.

Mesmo aquelas que não têm qualquer predisposição a apresentar problemas venosos, o cigarro é capaz de promover um estado de coagulação excessiva, que pode levar à formação de uma trombose no interior da veia. Essa trombose venosa profunda, como é conhecida, expõe a fumante ao risco de complicações seríssimas, como a embolia pulmonar - que acontece quando um coágulo que estava fixo em uma veia do corpo se desprende e vai pela circulação até o pulmão, obstruindo a passagem do sangue por uma artéria. Como resultado, pode ocorrer dano pulmonar, ou até mesmo a morte imediata.

O risco pode ser ainda maior no caso das fumantes que usam anticoncepcionais orais. Associado aos hormônios da pílula, o tabagismo forma uma “bomba” de trombose prestes a explodir, além de aumentar muito os riscos de acontecimento de um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Mas o risco se estende também àqueles que não fumam. A fumaça do cigarro contém mais de 4.000 substâncias químicas e, pelo menos, 40 substâncias conhecidamente cancerígenas. Já há estudos que mostram que o risco de morte por doença cardíaca em pessoas expostas à fumaça de cigarro é de 30% maior que na população geral. Filhos de fumantes, por exemplo, têm maior propensão a doenças respiratórias e a infecções. Mulheres não-fumantes expostas à fumaça de cigarro também têm mais chances de dar à luz a bebês de baixo peso.

A única solução é mesmo deixar o cigarro de lado. Já existem terapias com retirada gradual da nicotina, medimentos antidepressivos, medicações que diminuem o efeito da nicotina e grupos de apoio para ajudar a superar essa dependência. O maior passo a ser dado é o reconhecimento da dependência e a vontade de superá-la. Se este for dado, o próximo é procurar ajuda especializada para assim facilitar a superação desse transtorno.

Por Dr. Humberto Tindó
Chefe da Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Quinta D'Or

Clique no ícone e ouça o Dr. Humberto Tindó falando sobre os problemas que o fumo pode trazer para as mulheres


terça-feira, 5 de maio de 2009

Métodos anticoncepcionais












Uma das perguntas que os ginecologistas mais ouvem nos consultórios é qual o contraceptivo mais adequado. A verdade é que cada método tem suas vantagens e desvantagens e alguns funcionam melhor do que outros para prevenir a gravidez. Além disso, é preciso ter em mente que todos têm suas limitações. Na escolha de qual adotar, é importante levar em conta diversos fatores, como a frequência das relações sexuais, a saúde geral da mulher e os possíveis efeitos colaterais de cada um. Não se pode esquecer, porém, que nem todo método anticoncepcional evita doenças sexualmente transmissíveis e, portanto, o uso da camisinha (masculina e feminina) é sempre recomendado.

Mas conhecer as opções disponíveis é fundamental para orientar-se nessa escolha. Os métodos contraceptivos dividem-se em 5 grupos: hormonais, de barreira, dispositivos intra-uterinos (DIU), cirúrgicos e comportamentais.

Métodos hormonais

A pílula anticoncepcional consiste na ingestão diária de hormônios, enganando o organismo, como se a mulher estivesse grávida. Assim, os ovários não produzem óvulos e a mulher não engravida. Existem diversos tipos de pílulas e apenas o médico pode receitar a mais indicada para cada caso. As mais comuns são:

Pílula diária:

Combinam os hormônios estrogênio e progesterona. Toma-se uma por dia, a partir do quinto dia de menstruação. Ao terminar a cartela, há uma pausa de uma semana, quando se deve iniciar nova cartela. Existem também pílulas de baixa dosagem, ou micro pílulas. Estas podem ser tomadas por lactantes e devem ser ingeridas todos os dias, sem interrupção. As desvantagens desses medicamentos vão desde efeitos colaterais como enjôo, inchaço, dor e sensibilidade nos seios, dor de cabeça, entre outros. Fumantes, e mulheres com problemas cardíacos, hipertensão, enxaqueca, derrame, ou outras doenças não devem usar pílulas. Além disso, caso haja falha na ingestão, o famoso esquecimento da pílula, a mulher corre risco de engravidar.

Anticoncepção de emergência:

Também conhecida como pílula do dia seguinte, é uma opção válida, mas que deve ser utilizada apenas, como o nome diz, em casos de emergência. É um medicamento hormonal oral que deve ser tomado até 72 horas após a relação sexual desprotegida. Se tomada em até 24 horas, o índice de falha é de apenas 5%. Já entre 49 e 72 horas, o índice chega a 42%. A pílula não tem efeito caso a mulher já esteja grávida. O medicamento pode causar diversos efeitos colaterais e não deve ser usado como método regular.

Injeção anticoncepcionais:

São injeções de hormônios que duram de um a três meses e devem ser receitadas diretamente pelo médico. Tem alta eficácia e a mesma função da pílula diária, mas nesse caso não há o risco de esquecer-se de tomar o medicamento e é também indicada para mulheres que não podem tomar a pílula via oral. Também pode apresentar efeitos colaterais como dor de cabeça, ganho de peso e sangramentos.

Anel vaginal:

Anel contendo hormônios que é inserido pela própria mulher na vagina no início do ciclo menstrual. Permanece no corpo por três semanas, impedindo a ovulação como uma pílula diária. As vantagens são a absorção direta dos hormônios pela circulação e a não possibilidade de esquecimento da pílula, muito comum no uso da pílula diária. Após os 21 dias de uso, há uma pausa de sete dias e outro anel deve ser inserido.

Adesivo anticoncepcional:

Contém os mesmos hormônios das pílulas comuns, mas em forma de adesivo. Cada adesivo permanece na pele por uma semana e deve ser trocado por outro. Isso se mantém por três semanas e depois há uma pausa. Como no anel vaginal, vantagem é que a mulher não corre o risco de esquecer-se de tomar a pílula e os hormônios são absorvidos pela circulação. A eficácia é a mesma.

Implante hormonal:

Microbastão de hormônio que é colocado embaixo da pele, com anestesia local, e inibe a ovulação por até três anos. Assim como os métodos anteriores, a eficácia é alta e os hormônios são absorvidos diretamente pela circulação.

Métodos de Barreira

Camisinha masculina:

Método mais utilizado e popular que existe, a camisinha barra os espermatozóides logo após a ejaculação. Além de barata e eficiente, protege contra as doenças sexualmente transmissíveis, inclusive a AIDS. Em geral é feita de látex e a maioria das pessoas não encontra problemas em usá-la. Deve ser colocada no pênis ereto e, na ponta, deixado um espaço vazio e sem ar, para que ali fique o esperma. Caso contrário, a camisinha pode estourar ou o esperma subir até a base do pênis. Quando bem colocada, sua eficácia em evitar a gravidez chega a 96%.

Camisinha feminina:

É feita em poliuretano, no formato de um saco, com dois anéis flexíveis em cada extremidade, sendo uma delas fechada. Parece complicado, mas a camisinha feminina é simples. Um dos anéis facilita a colocação e o outro segura a camisinha, além de proteger os pequenos e grandes lábios. Também evita DSTs, como a masculina e sua eficácia contra a gravidez é de 97%.

Diafragma:

Em formato de concha, o diafragma é um dispositivo feito de látex ou silicone, que a mulher insere na vagina, cobrindo o colo do útero e impedindo a entrada de espermatozóides. Deve ser utilizado com uma pomada espermicida, garantindo maior eficácia. O ideal é que seja indicado por um médico, pois sua escolha depende do tamanho do colo uterino. Os cuidados com a limpeza e o armazenamento são muito importantes para não causar infecções. É recomendado que se insira o diafragma de 15 a 30 minutos antes da relação sexual e retirado de seis a oito horas após a penetração. Sua eficácia fica em torno de 80%.

Dispositivo Intra-Uterino (DIU):

Os DIUs são dispositivos de plástico recobertos de cobre, inseridos na cavidade uterina pelo ginecologista. Eles evitam a fecundação, pois impedem que o espermatozóide alcance os óvulos, dificultando sua locomoção dentro do útero. Hoje, inclusive, já existem métodos que contém hormônios combinados ao dispositivo. Os DIUs mais modernos podem ficar no corpo da mulher por até 10 anos, mas para isso é preciso que ela faça um controle periódico com seu médico. O DIU é geralmente recomendado para mulheres que já têm filhos e que só desejam engravidar em alguns anos. Em alguns casos, ele pode apresentar desvantagens como dores abdominais, sangramentos, além de não ser recomendado para mulheres com cólicas fortes, hemorragias, alergia ao material e doenças como miomas ou anomalia intra-uterina. Em compensação é um método muito eficiente e garante contracepção em até 99% dos casos.

Métodos definitivos

Ligadura de trompas:

A laqueadura tubária é a esterilização da mulher. É um método cirúrgico, logo exige internação e anestesia geral ou regional, que consiste na ligadura ou corte das trompas de forma definitiva, impedindo que os óvulos alcancem o útero e, assim, haja o encontro e com os espermatozóides e, conseqüente implantação do embrião. Assim, a decisão de recorrer a esse método deve ser muito bem analisada levando em conta idade, a constituição da prole e o desejo de nunca mais ter mais filhos.

Vasectomia:

A esterilização do homem também não deixa de ser um método contraceptivo para a mulher. Consiste no corte do tubo que leva os espermatozóides dos testículos até as glândulas que fabricam o esperma, garantindo uma ejaculação normal, mas sem presença dos gametas masculinos. Assim como a laqueadura, a decisão de optar pela vasectomia deve ser muito bem pensada, pois é uma intervenção definitiva.

Métodos comportamentais

Tabelinha:

O método procura prever quando ocorre a ovulação da mulher e, assim, calcular o início e o fim do período fértil. Antes de tudo, a mulher deve analisar pelo menos os últimos seis ciclos menstruais para saber se este é regulado e quanto tempo dura. Teoricamente, a mulher é fértil no meio do seu ciclo. Ou seja, se ele dura 28 dias, a fertilidade máxima seria entre o 12° e o 16º dia, contando o primeiro dia da menstruação como 1º. Nesse período, é preciso abster-se de relações sexuais, ou optar por métodos de barreira como preservativos e diafragma. Mas lembre-se, a tabelinha é arriscada e só funciona para mulheres com ciclo menstrual regular.

Temperatura:

Quando a mulher ovula, sua temperatura corporal aumenta entre 0,3 e 0,8°C, pela ação hormonal. O método consiste em medir a temperatura oral, durante cinco minutos, pela manhã, após pelo menos cinco horas de sono, sem ter feito nenhum esforço e antes de comer. A mulher deve anotar os resultados durante pelo menos dois ciclos menstruais, desde o primeiro dia da menstruação até o período em que a temperatura se elevar por três dias consecutivos. Depois de estabelecer um padrão, ela poderá determinar o período fértil e evitar relações sexuais nesses dias. A desvantagem é que se por algum motivo, como doenças diversas, a temperatura for alterada, o método não é válido.

Muco ou Billings:

A mulher observa diariamente o muco vaginal, atentando para a quantidade de umidade e sua viscosidade e detectando se está ou não em seu período fértil. O muco surge cerca de três dias após a menstruação e, antes da ovulação, fica mais espesso e grudento. Quando percebe essa alteração, deve permanecer pelo menos quatro dias sem manter relações sexuais. É um método muito arriscado, porque depende da interpretação da mulher. E, geral, é usado pelos casais que querem engravidar, já que determina o período em que a mulher estaria ovulando.

Coito interrompido:

O coito interrompido é a tentativa de não haver a ejaculação dentro da vagina da mulher. O método é bastante falho porque antes mesmo do homem sentir que está na iminência de ejacular e retirar o pênis, já há a liberação de líquido que contém espermatozóides suficientes para fecundar o óvulo.


Por Dr. Humberto Tindó
Coordenador do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Quinta D'Or


Clique no ícone e ouça o Dr. Humberto Tindó falando sobre métodos anticoncepcionais