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quarta-feira, 25 de março de 2015

Você sabe o que é a Síndrome do Ovário Policístico?

A Síndrome do Ovário Policístico é uma doença de caráter metabólico em que vários eixos hormonais se alteram, como o da ovulação, dos hormônios masculinos e da insulina.
Dra. Fabiane Sabbag, ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade São Luiz Itaim, explica que estas mudanças causam alteração no ciclo menstrual, infertilidade, obesidade, acne e pelos em excesso.
O diagnóstico deve ser feito com os sintomas e sinais, juntamente com alterações hormonais detectadas em exame laboratorial e mudanças no aspecto característico dos ovários ao realizar o ultrassom.
A especialista afirma que o tratamento depende do objetivo da paciente: se ela quiser engravidar, são utilizados hormônios indutores da ovulação e medicações que controlam a insulina, como a metformina.
“Caso ela não queira ter filhos, o tratamento pode ser feito com pílulas anticoncepcionais específicas ou hormônios que regulem o ciclo como a progesterona ou que melhorem a acne e pelos, como a espironolactona e a ciproterona”, conclui Dra. Fabiane.
#RedeDOr #ovario

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Você sabe o que é a Síndrome do Ovário Policístico?

A Síndrome do Ovário Policístico é uma doença de caráter metabólico em que vários eixos hormonais se alteram, como o da ovulação, dos hormônios masculinos e da insulina.
Dra. Fabiane Sabbag, ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade São Luiz, de São Paulo, explica que estas mudanças causam alteração no ciclo menstrual, infertilidade, obesidade, acne e pelos em excesso.
O diagnóstico deve ser feito com os sintomas e sinais, juntamente com alterações hormonais detectadas em exame laboratorial e mudanças no aspecto característico dos ovários ao realizar o ultrassom.
A especialista afirma que o tratamento depende do objetivo da paciente: se ela quiser engravidar, são utilizados hormônios indutores da ovulação e medicações que controlam a insulina, como a metformina.
“Caso ela não queira ter filhos, o tratamento pode ser feito com pílulas anticoncepcionais específicas ou hormônios que regulem o ciclo como a progesterona ou que melhorem a acne e pelos, como a espironolactona e a ciproterona”, conclui Dra. Fabiane.
#rededor #ovariopolicistico

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Síndrome do ovário policístico pode desenvolver outros males

A síndrome do ovário policístico, conhecida como SOP, é comum na população feminina em idade reprodutiva, entre 12 e 50 anos. A doença atinge em média de 5 a 10% das mulheres. Apesar de ser frequente, o que muitas desconhecem é que a SOP pode ser responsável pelo desenvolvimento de outros males, como diabetes, doenças cardiovasculares e até câncer de endométrio.

 O ginecologista e obstetra Luiz Henrique Silva, do Hospital e Maternidade Brasil, em São Paulo, explica que a SOP é diferente do ovário policístico, que é uma alteração benigna comum na população feminina em que o ovário possui diversos microcistos. Já a síndrome, além de apresentar os ovários aumentados por causa dos diversos cistos, também possui outros sintomas clínicos.

 A doença ainda é um mistério para a medicina, já que não tem uma causa definida. “Não existe uma causa específica para o problema, mas sabe-se que é causado pelo desequilíbrio de alguns hormônios importantes, em que a mulher com SOP possui um nível hormonal de hormônio masculino importante (testosterona) associado a um aumento da resistência à insulina”, afirma o especialista.

 Gustavo Arantes Rosa Maciel, ginecologista e professor assistente da Ginecologia da Faculdade de Medicina da USP, diz que o primeiro alerta de que a mulher possa ter o problema é quando a menstruação é irregular e apresenta alterações relacionadas a hormônios, como aumento de pelos e acne.

 “A mulher não ovula todo mês, então a menstruação tende a atrasar, e pode atrasar meses. Além disso, a medicina descobriu há alguns anos que essas pacientes têm algumas alterações metabólicas. Elas têm uma tendência a ganhar peso e a ter alterações na glicose, que no futuro pode virar diabetes. Essas pacientes têm até dez vezes mais chances de se tornar diabéticas do que as pacientes que não têm o ovário policístico”, explica.

 Gatilho

 Quando não tratada, a SOP tem algumas consequências de longo prazo que podem prejudicar a saúde. A primeira é o diabetes. As mulheres com a SOP têm também maior chance de ter doenças cardiovasculares, como infarto ou derrame, embora esses problemas sejam mais comum com a idade mais avançada.


 “Se ela não trata essa menstruação desregulada, tem mais chance de ter câncer do endométrio, na parte interna do útero. Aquela parte que sangra todo mês, quando fica sem tratamento, por longos períodos sem menstruar, pode se tornar um câncer”, explica Maciel. 


 Segundo o especialista, as meninas podem apresentar o problema desde a primeira menstruação, ainda na adolescência, mas é importante lembrar que nos dois primeiros anos que segue da primeira menstruação é normal que o ciclo seja irregular, e isso não tem nenhuma relação com o ovário policístico.


 “É apenas uma imaturidade do sistema reprodutivo, que faz com que a menina não menstrue de maneira regular nos dois primeiros anos. Normalmente, a gente espera, durante esses dois anos, e se depois disso a menina continua com a menstruação muito irregular, que não vem todo mês ou atrasa muito, então começamos a desconfiar que ela possa ter a doença”, diz. 


 A ginecologista e obstetra Denise Gomes, de São Paulo, diz que o diagnóstico depende essencialmente dos sintomas e sinais clínicos. “Ele pode ser confirmado com exames laboratoriais e de imagem, como o ultrassom pélvico”, afirma. Para Silva, ter uma vida saudável, praticar atividade física regularmente e ter uma alimentação equilibrada ajudam a afastar ou amenizar as possíveis consequências do problema. “Uma dieta com acompanhamento médico é tão ou mais importante que as medicações utilizadas.” 


 Engravidar é mais difícil 


 Um dos problemas associados à síndrome do ovário policístico é a dificuldade de engravidar. Segundo a ginecologista e obstetra Denise Gomes, além das alterações psíquicas, pelo ganho de peso, acne, pelos (o que reduz muito a autoestima da mulher), a dificuldade de engravidar é outra consequência. “Por isso recomendamos o tratamento da síndrome quando diagnosticada”, alerta.


 Mas os especialistas garantem que, embora seja mais difícil, mulheres que têm a doença podem engravidar. “Ela eventualmente pode ter um pouco mais de dificuldade, porque não ovula todo mês, tem um problema de ovulação, então só consegue engravidar naquelas vezes em que ovulou. Por exemplo, se ela tem um caso mais severo e menstrua duas vezes por ano, quer dizer que, ao invés de 12, vai ter duas chances de engravidar. Isso faz com que elas tenham um quadro de subfertilidade, não é infertilidade”, explica o ginecologista Gustavo Maciel. 


O ginecologista e obstetra Luiz Henrique Silva diz que existem estudos apontando maior taxa de abortamento em mulheres com a síndrome. “Com o desenvolver da gestação, pode ocorrer diabetes mellitus gestacional e hipertensão arterial.” É por isso que Gustavo Maciel recomenda que essas pacientes tenham acompanhamento médico adequado para evitar esses possíveis problemas durante a gravidez. 


 Não há cura, mas estabilização 


 A síndrome do ovário policístico é uma doença crônica. Isso significa que não existe um remédio que cure o problema definitivamente. “O tratamento é baseado nos sintomas que a paciente tem”, explica o ginecologista Gustavo Maciel. 


O ginecologista e obstetra Domingos Mantelli Borges Filho, de São Paulo, lembra que, em geral, o tratamento se baseia no uso prolongado de anticoncepcional hormonal para provocar a anovulação, ou seja, para manter os ovários em um estágio não ativo. “Em algumas vezes, administramos medicação hipoglicemiante, indicada para o tratamento de diabetes. Tratamento derma-tológico também pode ser associado. Não consideramos cura para o problema, mas sim estabilização do mesmo”, afirma.


 O departamento de Ginecologia do Hospital das Clínicas, em São Paulo, conta com um ambulatório específico para estudar a relação da síndrome com as alterações metabólicas, além do aspecto ginecológico. Além disso, o local oferece tratamento gratuito para a síndrome do ovário policístico. 


 Segundo Maciel, que coordena o ambulatório, o espaço foi inaugurado em 2006 para estudar os vários aspectos da doença, ou seja, os motivos que levam essas pacientes a ter risco aumentado de desenvolver diabetes, quais os remédios que podem ser usados para que elas não tenham a doença nos próximos anos, o que pode ser feito para que essas mulheres não tenham no futuro doenças cardiovasculares, entre outras questões relacionadas à síndrome.


 “Essa doença, embora seja muito comum, é muito misteriosa, porque a gente não sabe o que causa. Há vários aspectos da doença que são desconhecidos”, explica o especialista. O atendimento no ambulatório é totalmente gratuito e parte da medicação também. “Se eventualmente o medicamento não está disponível na rede pública ou no HC, a paciente tem de comprar, mas a gente pode dizer que 95% do tratamento é disponibilizado pela rede pública”, diz.


Fonte: Diário Web

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Pílula anticoncepcional – mitos e verdades















Baseada na administração de hormônios, a pílula diária e outros métodos anticoncepcionais similares atuam “enganando” o organismo, simulando uma gravidez. Dessa forma, os ovários não produzem óvulos e a mulher pode evitar a concepção por um determinado período de tempo. Mas essa quantidade extra de hormônios é motivo de preocupação para muitas delas e, como percebo no consultório, ainda existem muitas dúvidas e confusões envolvendo seu uso.

Hoje, os métodos hormonais podem ser encontrados nas mais diversas formas - pílula, anel vaginal, adesivo, injeção. Com dosagens cada vez menores e sem prejudicar sua eficácia, os produtos disponíveis atualmente produzem efeitos colaterais menores e, com isso, a tendência natural foi que a procura por eles aumentasse.

Porém, muitas histórias ainda são inventadas sobre esses métodos anticoncepcionais. O primeiro mito a se desmascarar: não é preciso descansar por um espaço de tempo depois de seis meses, ou um ano, de pílula. Isso é até contra-indicado do ponto de vista fisiológico. Outro, é o de que pílula anticoncepcional pode gerar infertilidade. Após a interrupção dos métodos hormonais, os ciclos ovarianos voltam a assumir o seu antigo padrão cíclico normal. É possível, contudo, que sejam necessários três meses, em média, para que este retorno aconteça.

A verdade é que podem existir, sim, efeitos colaterais, bastante conhecidos das mulheres. Os principais são as cefaléias enxaquecóides, os enjôos, o ganho de peso, a diminuição da libido, a dor na mama, o inchaço e o surgimento de microvarizes. A boa notícia é que com os anticoncepcionais atuais, de baixa dosagem hormonal, os tais efeitos são bem mais raros.

Saiba que o anticoncepcional hormonal não atrapalha a vida fértil e pode ser usado até a menopausa. Vale ressaltar também não só a importância dos métodos que previnem a gravidez, mas também as doenças sexualmente transmissíveis (DST), que a cada dia ameaçam mais homens e mulheres. Por isso, camisinha sempre!

E atenção: alguns remédios como ansiolíticos, antiepiléticos, antidepressivos e alguns antibióticos podem diminuir a eficácia dos métodos hormonais. Consulte sempre um especialista antes de optar por qualquer tipo de método contraceptivo hormonal.


Por Dr. Humberto Tindó
Chefe do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Quinta D'Or

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Jornada Rede D'Or 2009 traz módulo dedicado à saúde da mulher






















Jornada Rede D'Or, voltada para médicos e estudantes de medicina, acontece este sábado - 22 de agosto - no Rio de Janeiro e traz módulo dedicado exclusivamente à saúde da mulher.

Especialistas da casa e convidados irão discutir temas fundamentais para o bem-estar feminino como os principais avanços em tratamento para miomas e para câncer de mama, a avaliação placentária das grávidas, o diagnóstico de câncer de colo de útero e a infertilidade na mulher.


Para mais informações, acesse: www.rededor.com.br/jornada2009

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Pré-diabetes: controle é fundamental













Dando continuidade ao assunto abordado ontem no blog, falaremos hoje sobre o pré-diabetes. Esse é o termo usado para identificar as pessoas que possuem risco potencial de desenvolver diabetes do tipo 2, pois já apresentam elevação anormal dos níveis de glicose no sangue, mas tais níveis ainda não estão altos o suficiente para caracterizarem a doença.

A melhor maneira de se identificar o pré-diabetes é por meio da dosagem periódica do nível da glicemia no sangue. É considerado pré-diabético quem apresenta taxa de glicemia de jejum entre 100 e 125mg/dl. Após diagnosticado o problema, através de um teste de tolerância à glicose, cujo resultado da glicemia de 120 min deverá estar até 140 mg/dL, é fundamental o acompanhamento médico e o tratamento com medicamentos para evitar que o quadro evolua para o diabetes do tipo 2.

Mas se você já está pensando em correr para o médico para verificar sua glicemia, muita calma: nem todas as pessoas precisam fazer o teste para saber se têm pré-diabetes. Quem deve medir a glicemia para o diagnóstico do pré-diabetes ou de diabetes mellitus são as pessoas maiores de 45 anos, principalmente aquelas acima do peso ideal. No entanto, algumas pessoas mais novas ou que não apresentam sobrepeso também devem realizar o teste caso apresentem alguns fatores de risco para o desenvolvimento de diabetes. Esses fatores são: histórico familiar de diabetes, sedentarismo, hipertensão arterial, nível de colesterol ou triglicérides alterados, síndrome dos ovários policísticos, histórico de doença vascular ou, ainda, mulheres que tiveram bebês com mais de 4kg.

Se você se enquadra no chamado grupo de risco, não deixe de procurar um especialista e fazer avaliações regulares. Apesar de o pré-diabetes ser um estado intermediário entre a normalidade e o diabetes do tipo 2, é importante ressaltarmos que nem todos irão deixar a condição de pré-diabéticos para tornarem-se realmente diabéticos. Estudos comprovam que as pessoas que adquirem novos hábitos de vida, como a prática regular de exercícios físicos e a diminuição de cerca de 10% do peso corporal, têm bastante diminuídas as chances de se tornarem diabéticas.


Por Dra. Vera Cuoco
Endocrionologista da Rede D'Or

Clique no ícone e ouça a Dra. Vera Cuoco falando sobre o pré-diabetes


quinta-feira, 28 de maio de 2009

A preservação da fertilidade feminina












Muitas mulheres acalentam o sonho de ter filhos. Algumas, desde pequenas, já imaginam como será a experiência de ser mãe. A questão é que a vida é cheia de surpresas e, às vezes, toma um rumo que leva a pessoa para outros caminhos; um pouco afastados do sonho de ser mãe. Seja uma vida atribulada, seja porque a mulher ainda não encontrou o parceiro ideal, ou, ainda, por conta de alguma doença grave, os anos passam e algumas mulheres acabam não conseguindo realizar o sonho de ser mãe.

Mas o grande trunfo é que, para essas mulheres cuja vontade de ser mãe prevalece, a preservação da fertilidade já é uma realidade e permite que, apesar dos contratempos, ela ainda possa alcançar o objetivo da maternidade.

Chamamos de preservação da fertilidade feminina o conjunto de métodos que podem ajudar quando a mulher teve o seu potencial fértil diminuído. Por exemplo, a partir dos 30, as chances de engravidar decrescem gradativamente. Já a partir dos 40 a taxa de fertilidade começa a cair vertiginosamente, chegando a ser de apenas 1% aos 45. Passando da casa dos 40, as chances de se ter um bebê com problemas genéticos também são maiores.

Mas isso não é motivo para desesperar-se: as técnicas de fertilização assistida são grandes aliadas para as mamães que já atingiram a maturidade. Inúmeras são as possibilidades. O primeiro passo é buscar um especialista, para que, junto com ele, a mulher possa decidir qual o tratamento mais adequado.

Existem técnicas de baixa complexidade, como o estímulo da ovulação, a relação sexual programada e a inseminação de espermatozóides dentro do útero. E ainda as de maior complexidade, quando a inseminação é feita fora do organismo feminino. É o caso da fertilização in vitro, em que óvulos e espermatozóides são colhidos, e a fecundação ocorre em laboratório. Há também outra técnica ainda mais moderna, conhecida como injeção intra-citoplasmática de espermatozóides, na qual um espermatozóide é introduzido diretamente dentro do óvulo por meio de uma agulha extremamente fina. Em alguns casos é necessário recorrer à doação de óvulos, mas somente um especialista poderá orientar a mulher, mediante um estudo aprofundado do caso.

Outra situação que pode comprometer o potencial fértil feminino é o aparecimento de doenças, como, por exemplo, o câncer, cujo tratamento extremamente invasivo pode trazer dificuldades para a mulher engravidar. A quimioterapia e a radioterapia ainda têm um efeito deletério sobre o aparelho reprodutor, podendo acarretar uma infertilidade transitória ou permanente.

Nestes casos, já é possível prevenir-se com práticas como o congelamento de óvulos, tecido ovariano, ou até mesmo de embriões, para utilizá-los no momento ideal para o casal, quando puder e quiser engravidar. Existe uma preocupação cada vez maior em orientar a preservação da fertilidade antes de se iniciar o tratamento para o câncer. Preservar a fertilidade significa guardar os gametas (óvulos e espermatozóides) congelados para uso futuro. O congelamento é feito preferencialmente antes da paciente se submeter ao tratamento.

No caso de câncer, as técnicas para preservar a fertilidade feminina podem ser feitas tanto em mulheres adultas quanto em crianças, das quais também é possível congelar o tecido ovariano, que permite o congelamento de vários óvulos num estágio imaturo. No momento do descongelamento, eles deverão ser amadurecidos em laboratório e depois implantados no útero feminino.

Agora que você já sabe que é possível preservar sua fertilidade, o primeiro passo é buscar um especialista, que irá orientá-la a respeito dos métodos possíveis. Além disso, é importante ter em mente que todos eles são uma alternativa real e possível para a realização do sonho de ser mãe.

Por Dra Maria Cecília Erthal
Diretora-médica do Centro de Fertilidade da Rede D'Or

Clique no ícone e ouça a Dra. Maria Cecília Erthal falando sobre preservação da fertilidade




segunda-feira, 25 de maio de 2009

Síndrome do ovário policístico

Entre 20% e 30% das mulheres desenvolvem cistos nos ovários em alguma altura da vida. Apesar de ser importante acompanhá-los, normalmente estes não têm relação com doenças e desaparecem de forma espontânea. Porém, 10% delas apresentam um tipo de disfunção que está entre as causas mais comuns de infertilidade feminina e vem associada a outros sintomas, a síndrome do ovário policístico (SOP). Ainda que seja um mal incurável, os sintomas da SOP podem ser amenizados e hoje já existem diversas opções de terapias que aumentam e muito as chances de gravidez dessas mulheres.

A SOP é uma doença endócrina, ou seja, causada pela alteração dos hormônios. Não tem uma causa conhecida, mas é sabido que ocorre uma disfunção na glândula que regula a produção hormonal, o hipotálamo, e também uma resistência do organismo à ação da insulina, que acaba por estimular a produção excessiva de testosterona pelos ovários. Com o excesso de testosterona, a ovulação é alterada e alguns folículos que estão nos ovários não conseguem completar o ciclo de ovulação, não amadurecem e acabam por se acumular, formando microcistos.

Sintomas e Diagnóstico

Os principais sintomas são alterações no ciclo menstrual, que pode ter longos intervalos, em torno de três meses entre uma menstruação e outra, ou até mesmo a ausência da menstruação; aparecimento de pelos em locais inconvenientes, como, por exemplo, no rosto; aumento da oleosidade da pele com surgimento de acne; e acúmulo de gordura abdominal, com tendência à obesidade. Caso haja existência de dois ou mais desses indícios, é bom procurar um médico.

Contudo, apenas os sintomas não são suficientes para determinar o quadro clínico. A avaliação completa é feita por meio de ultrassonografia pélvica, ou transvaginal, exames clínicos e laboratoriais. Para a confirmação do diagnóstico, é preciso que a mulher apresente dois dentre os seguintes sinais: ovários policísticos apresentando mais de 12 folículos, com aumento do volume ovariano acima de 10 cm³; falta de ovulação ou deficiência; e sinais de aumento na produção de hormônio masculino.

Tratamento

O tratamento vai depender da fase da vida da mulher. O que é mais importante em determinado momento e qual o sintoma que mais a incomoda são perguntas essenciais a serem feitas pelo médico. Em geral, é indicado o uso de anticoncepcionais orais, que diminuem o aparecimento de pelos, espinhas, cólicas, ou mesmo evitam o aumento de peso. Para mulheres que querem engravidar, a primeira alternativa é o uso de indutores de ovulação, mas, em alguns casos específicos, em que o ovário esteja mais danificado, ou haja grande produção de hormônio masculino, pode ser necessário um tratamento de reprodução assistida.

Procurar tratamento para a doença e manter o peso são fundamentais para a saúde e bem-estar das pacientes. A obesidade também gera resistência à insulina, que produz o aumento dos hormônios masculinos e tende a agravar os sintomas. Além disso, no caso da SOP, também piora a tendência ao desenvolvimento de diabetes e a chance do aparecimento de doenças cardiovasculares.

Por Dra. Maria Cecília Erthal
Ginecologista e Obstetra do Centro de Fertilidade da Rede D'Or


Clique no ícone e ouça a Dra. Maria Cecília Erthal falando sobre a SOP




quinta-feira, 7 de maio de 2009

Exames da mulher










Para manter o bem-estar durante toda a vida, a mulher tem um grande aliado: seu médico ginecologista. A partir da primeira menstruação, o ideal é freqüentar regularmente o consultório do especialista. Ele vai poder indicar quais e quando realizar os exames de rotina que não só monitoram a saúde como podem diagnosticar precocemente doenças como o câncer de mama e de colo de útero. Além de prevenir doenças, os exames adequados para cada idade são essenciais para esclarecer todas as dúvidas, melhorando a qualidade de vida das mulheres.

Exame pélvico e das mamas:

Na consulta regular, o médico observa visualmente o colo do útero, com toque e palpação dos órgãos reprodutores e das mamas, procurando por doenças e infecções, corrimentos anormais, nódulos e outros problemas. Toda mulher com mais de 20 anos e com vida sexual ativa, deve realizá-los pelo menos uma vez ao ano.

Mamografia:

Principal forma de detecção precoce do câncer de mama, a mamografia (espécie de raios-X das mamas e de parte das axilas), é o único capaz de diagnosticar lesões pequenas, mesmo quando essas ainda não são palpáveis. Atualmente, a mamografia já é capaz de identificar lesões menores do que um centímetro, o que amplia enormemente a possibilidade de cura do câncer de mama. Deve ser realizada a partir dos 35 anos, a cada 3 anos e anualmente, a partir de 40 anos, com maior ênfase para o grupo entre 50 e 69 anos, faixa etária em que a doença tem maior prevalência. Mulheres com parentes de primeiro grau (mãe ou irmã) que tiveram câncer de mama antes da menopausa, que ficaram menstruadas muito cedo, não tiveram filhos, cuja primeira gestação ocorreu depois dos 30 anos, ou menopausa iniciou-se tardiamente, são consideradas grupo de risco e devem manter um acompanhamento mais constante.

Papanicolau:

O famoso Papanicolau é o exame preventivo que pode identificar a doença. Ele deve ser feito pelo menos uma vez por ano, a partir dos 18 anos (ou da primeira relação sexual) e até os 65 anos, em média. O exame identifica as células do colo do útero alteradas pelo HPV, ou vírus do papiloma humano, que podem se transformar em lesões e, consequentemente, em câncer.

Colposcopia:

É a observação visual da vulva, da vagina e do colo do útero com o colposcópio, aparelho que ilumina a região e amplia de dez a 40 vezes a imagem, feito no consultório do médico. Sua função é detectar as lesões que correspondem às alterações porventura encontradas na colpocitologia (Papanicolau) e biopsiá-las.

Outros exames:

Alguns exames que saem do escopo ginecológico também são muito importantes no monitoramento da saúde da mulher como um todo. Converse com o seu ginecologista sobre a necessidade de realizá-los:

Colesterol e triglicérides - Exame de sangue indicado, especialmente, para mulheres acima de 35 anos, com destaque para as fumantes, hipertensas, com histórico familiar de colesterol elevado, ou obesidade. Sua função é prevenir doenças do sistema cardiovascular.

Glicemia de jejum - Exame de sangue solicitado pelo médico para avaliar possíveis distúrbios ligados à produção de insulina e ao diabetes. Deve ser feito regularmente por mulheres acima dos 35 anos, especialmente aquelas com casos de diabetes na família.

Eletrocardiograma - Este exame pode ser indicado pelo médico para analisar tanto a frequência cardíaca em descanso, como em movimento. O eletrocardiograma de repouso avalia problemas com o batimento cardíaco e o de esforço, o potencial do sistema cardíaco em aceleração causada por esforço físico. Em geral, são solicitados às mulheres acima de 35 anos, que sejam sedentárias, ou que estejam iniciando condicionamento físico
.

Por Dr. Humberto Tindó
Chefe do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Quinta D'Or

terça-feira, 5 de maio de 2009

Métodos anticoncepcionais












Uma das perguntas que os ginecologistas mais ouvem nos consultórios é qual o contraceptivo mais adequado. A verdade é que cada método tem suas vantagens e desvantagens e alguns funcionam melhor do que outros para prevenir a gravidez. Além disso, é preciso ter em mente que todos têm suas limitações. Na escolha de qual adotar, é importante levar em conta diversos fatores, como a frequência das relações sexuais, a saúde geral da mulher e os possíveis efeitos colaterais de cada um. Não se pode esquecer, porém, que nem todo método anticoncepcional evita doenças sexualmente transmissíveis e, portanto, o uso da camisinha (masculina e feminina) é sempre recomendado.

Mas conhecer as opções disponíveis é fundamental para orientar-se nessa escolha. Os métodos contraceptivos dividem-se em 5 grupos: hormonais, de barreira, dispositivos intra-uterinos (DIU), cirúrgicos e comportamentais.

Métodos hormonais

A pílula anticoncepcional consiste na ingestão diária de hormônios, enganando o organismo, como se a mulher estivesse grávida. Assim, os ovários não produzem óvulos e a mulher não engravida. Existem diversos tipos de pílulas e apenas o médico pode receitar a mais indicada para cada caso. As mais comuns são:

Pílula diária:

Combinam os hormônios estrogênio e progesterona. Toma-se uma por dia, a partir do quinto dia de menstruação. Ao terminar a cartela, há uma pausa de uma semana, quando se deve iniciar nova cartela. Existem também pílulas de baixa dosagem, ou micro pílulas. Estas podem ser tomadas por lactantes e devem ser ingeridas todos os dias, sem interrupção. As desvantagens desses medicamentos vão desde efeitos colaterais como enjôo, inchaço, dor e sensibilidade nos seios, dor de cabeça, entre outros. Fumantes, e mulheres com problemas cardíacos, hipertensão, enxaqueca, derrame, ou outras doenças não devem usar pílulas. Além disso, caso haja falha na ingestão, o famoso esquecimento da pílula, a mulher corre risco de engravidar.

Anticoncepção de emergência:

Também conhecida como pílula do dia seguinte, é uma opção válida, mas que deve ser utilizada apenas, como o nome diz, em casos de emergência. É um medicamento hormonal oral que deve ser tomado até 72 horas após a relação sexual desprotegida. Se tomada em até 24 horas, o índice de falha é de apenas 5%. Já entre 49 e 72 horas, o índice chega a 42%. A pílula não tem efeito caso a mulher já esteja grávida. O medicamento pode causar diversos efeitos colaterais e não deve ser usado como método regular.

Injeção anticoncepcionais:

São injeções de hormônios que duram de um a três meses e devem ser receitadas diretamente pelo médico. Tem alta eficácia e a mesma função da pílula diária, mas nesse caso não há o risco de esquecer-se de tomar o medicamento e é também indicada para mulheres que não podem tomar a pílula via oral. Também pode apresentar efeitos colaterais como dor de cabeça, ganho de peso e sangramentos.

Anel vaginal:

Anel contendo hormônios que é inserido pela própria mulher na vagina no início do ciclo menstrual. Permanece no corpo por três semanas, impedindo a ovulação como uma pílula diária. As vantagens são a absorção direta dos hormônios pela circulação e a não possibilidade de esquecimento da pílula, muito comum no uso da pílula diária. Após os 21 dias de uso, há uma pausa de sete dias e outro anel deve ser inserido.

Adesivo anticoncepcional:

Contém os mesmos hormônios das pílulas comuns, mas em forma de adesivo. Cada adesivo permanece na pele por uma semana e deve ser trocado por outro. Isso se mantém por três semanas e depois há uma pausa. Como no anel vaginal, vantagem é que a mulher não corre o risco de esquecer-se de tomar a pílula e os hormônios são absorvidos pela circulação. A eficácia é a mesma.

Implante hormonal:

Microbastão de hormônio que é colocado embaixo da pele, com anestesia local, e inibe a ovulação por até três anos. Assim como os métodos anteriores, a eficácia é alta e os hormônios são absorvidos diretamente pela circulação.

Métodos de Barreira

Camisinha masculina:

Método mais utilizado e popular que existe, a camisinha barra os espermatozóides logo após a ejaculação. Além de barata e eficiente, protege contra as doenças sexualmente transmissíveis, inclusive a AIDS. Em geral é feita de látex e a maioria das pessoas não encontra problemas em usá-la. Deve ser colocada no pênis ereto e, na ponta, deixado um espaço vazio e sem ar, para que ali fique o esperma. Caso contrário, a camisinha pode estourar ou o esperma subir até a base do pênis. Quando bem colocada, sua eficácia em evitar a gravidez chega a 96%.

Camisinha feminina:

É feita em poliuretano, no formato de um saco, com dois anéis flexíveis em cada extremidade, sendo uma delas fechada. Parece complicado, mas a camisinha feminina é simples. Um dos anéis facilita a colocação e o outro segura a camisinha, além de proteger os pequenos e grandes lábios. Também evita DSTs, como a masculina e sua eficácia contra a gravidez é de 97%.

Diafragma:

Em formato de concha, o diafragma é um dispositivo feito de látex ou silicone, que a mulher insere na vagina, cobrindo o colo do útero e impedindo a entrada de espermatozóides. Deve ser utilizado com uma pomada espermicida, garantindo maior eficácia. O ideal é que seja indicado por um médico, pois sua escolha depende do tamanho do colo uterino. Os cuidados com a limpeza e o armazenamento são muito importantes para não causar infecções. É recomendado que se insira o diafragma de 15 a 30 minutos antes da relação sexual e retirado de seis a oito horas após a penetração. Sua eficácia fica em torno de 80%.

Dispositivo Intra-Uterino (DIU):

Os DIUs são dispositivos de plástico recobertos de cobre, inseridos na cavidade uterina pelo ginecologista. Eles evitam a fecundação, pois impedem que o espermatozóide alcance os óvulos, dificultando sua locomoção dentro do útero. Hoje, inclusive, já existem métodos que contém hormônios combinados ao dispositivo. Os DIUs mais modernos podem ficar no corpo da mulher por até 10 anos, mas para isso é preciso que ela faça um controle periódico com seu médico. O DIU é geralmente recomendado para mulheres que já têm filhos e que só desejam engravidar em alguns anos. Em alguns casos, ele pode apresentar desvantagens como dores abdominais, sangramentos, além de não ser recomendado para mulheres com cólicas fortes, hemorragias, alergia ao material e doenças como miomas ou anomalia intra-uterina. Em compensação é um método muito eficiente e garante contracepção em até 99% dos casos.

Métodos definitivos

Ligadura de trompas:

A laqueadura tubária é a esterilização da mulher. É um método cirúrgico, logo exige internação e anestesia geral ou regional, que consiste na ligadura ou corte das trompas de forma definitiva, impedindo que os óvulos alcancem o útero e, assim, haja o encontro e com os espermatozóides e, conseqüente implantação do embrião. Assim, a decisão de recorrer a esse método deve ser muito bem analisada levando em conta idade, a constituição da prole e o desejo de nunca mais ter mais filhos.

Vasectomia:

A esterilização do homem também não deixa de ser um método contraceptivo para a mulher. Consiste no corte do tubo que leva os espermatozóides dos testículos até as glândulas que fabricam o esperma, garantindo uma ejaculação normal, mas sem presença dos gametas masculinos. Assim como a laqueadura, a decisão de optar pela vasectomia deve ser muito bem pensada, pois é uma intervenção definitiva.

Métodos comportamentais

Tabelinha:

O método procura prever quando ocorre a ovulação da mulher e, assim, calcular o início e o fim do período fértil. Antes de tudo, a mulher deve analisar pelo menos os últimos seis ciclos menstruais para saber se este é regulado e quanto tempo dura. Teoricamente, a mulher é fértil no meio do seu ciclo. Ou seja, se ele dura 28 dias, a fertilidade máxima seria entre o 12° e o 16º dia, contando o primeiro dia da menstruação como 1º. Nesse período, é preciso abster-se de relações sexuais, ou optar por métodos de barreira como preservativos e diafragma. Mas lembre-se, a tabelinha é arriscada e só funciona para mulheres com ciclo menstrual regular.

Temperatura:

Quando a mulher ovula, sua temperatura corporal aumenta entre 0,3 e 0,8°C, pela ação hormonal. O método consiste em medir a temperatura oral, durante cinco minutos, pela manhã, após pelo menos cinco horas de sono, sem ter feito nenhum esforço e antes de comer. A mulher deve anotar os resultados durante pelo menos dois ciclos menstruais, desde o primeiro dia da menstruação até o período em que a temperatura se elevar por três dias consecutivos. Depois de estabelecer um padrão, ela poderá determinar o período fértil e evitar relações sexuais nesses dias. A desvantagem é que se por algum motivo, como doenças diversas, a temperatura for alterada, o método não é válido.

Muco ou Billings:

A mulher observa diariamente o muco vaginal, atentando para a quantidade de umidade e sua viscosidade e detectando se está ou não em seu período fértil. O muco surge cerca de três dias após a menstruação e, antes da ovulação, fica mais espesso e grudento. Quando percebe essa alteração, deve permanecer pelo menos quatro dias sem manter relações sexuais. É um método muito arriscado, porque depende da interpretação da mulher. E, geral, é usado pelos casais que querem engravidar, já que determina o período em que a mulher estaria ovulando.

Coito interrompido:

O coito interrompido é a tentativa de não haver a ejaculação dentro da vagina da mulher. O método é bastante falho porque antes mesmo do homem sentir que está na iminência de ejacular e retirar o pênis, já há a liberação de líquido que contém espermatozóides suficientes para fecundar o óvulo.


Por Dr. Humberto Tindó
Coordenador do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Quinta D'Or


Clique no ícone e ouça o Dr. Humberto Tindó falando sobre métodos anticoncepcionais



quinta-feira, 16 de abril de 2009

Células-tronco para produção de óvulos sadios

Esta semana, o jornal O Globo publicou matéria do periódico inglês Independent sobre estudo chinês que indica um novo caminho no tratamento da infertilidade feminina. Em resumo, os pesquisadores transplantaram células-tronco ovarianas de fêmeas sadias de camundongo para os ovários de fêmeas inférteis e conseguiram fazer com que estas voltassem a produzir óvulos. Ou seja, talvez, num futuro não tão distante, seja possível haver uma nova terapia que aumente o vida fértil feminina consideravelmente.

Desde os anos 60, com a introdução da pílula anticoncepcional, a mulher começou a programar a constituição da sua prole, de maneira mais objetiva. A partir de então, o chamado sexo “frágil” abriu espaço na sua vida para outras atividades, incluindo o trabalho fora de casa. Hoje, são cada vez mais comuns os casos de mulheres que adiaram a maternidade para depois dos 40 anos. Mas nessa idade a fertilidade enfrenta uma queda muito brusca, devido à diminuição da quantidade e da qualidade dos óvulos.

Além disso, existem também casos de mulheres que, traídas pelo seu relógio biológico, experimentam a menopausa precoce, antes mesmo dos 40 anos, e passam a não produzir mais óvulos. E, para essas, o sonho de viver uma gravidez fica ainda mais distante. O cultivo das células tronco de origem ovariana é ainda um trabalho experimental, mas que sinaliza para uma possibilidade real no futuro. Para as mulheres que desejam vivenciar a gravidez na maturidade, essa será uma grande oportunidade. Vejam mais informações na matéria, abaixo.





Por Dra. Maria Cecília Erthal
Ginecologista e Obstetra, Diretora-médica do Centro de Fertilidade da Rede D'Or